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20 de julho de 2026  ·  Dermatologia

Regra ABCDE do Melanoma: Como Observar os Seus Sinais

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A regra ABCDE é a forma mais divulgada no mundo de olhar para um sinal da pele e decidir uma coisa — e apenas uma: se vale a pena mostrá-lo a um médico. Não serve para dizer se um sinal é ou não é melanoma; esse juízo exige observação clínica e dermatoscopia. Serve para transformar uma dúvida vaga (“este sinal parece-me estranho”) num critério concreto.

O acrónimo nasceu em 1985, nos Estados Unidos, com quatro letras — Assimetria, Bordos, Cor e Diâmetro — e ganhou em 2004 a quinta, E de Evolução, hoje considerada a mais sensível. Neste artigo explicamos o que cada letra significa, qual é a regra de decisão (basta um critério para procurar avaliação), e o que o ABCDE não apanha.

Índice

O que é a regra ABCDEA — AssimetriaB — BordosC — CorD — DiâmetroE — EvoluçãoTabela-resumo e regra de decisãoO que o ABCDE não apanha: EFG e patinho feioComo usar em casaQuando consultarPerguntas Frequentes

O que é a regra ABCDE

A regra ABCDE é uma mnemónica de rastreio, criada para o público em geral e para médicos não dermatologistas. Cada letra corresponde a uma característica que aparece com mais frequência em lesões suspeitas do que nos nevos melanocíticos comuns.

Duas ideias enquadram tudo o que se segue:

  • É uma ferramenta de triagem, não de diagnóstico. Um sinal pode cumprir critérios e ser perfeitamente benigno; outro pode não cumprir nenhum e merecer biópsia.
  • A conclusão possível é sempre a mesma: marcar consulta. Nunca “está tudo bem, é benigno”.

A — Assimetria

A maioria dos sinais benignos é simétrica: se traçar uma linha que divida o sinal ao meio, as duas metades são aproximadamente sobreponíveis em forma e em cor.

Avalie em dois eixos perpendiculares — esquerdo/direito e superior/inferior. Um sinal pode ser simétrico num eixo e assimétrico no outro; basta um eixo assimétrico para o critério contar.

Atenção a uma confusão comum: assimetria não é o mesmo que forma alongada. Um sinal oval pode ser perfeitamente simétrico. O que conta é a relação em espelho entre as metades, não a geometria.

B — Bordos

Os sinais benignos costumam ter bordos regulares e bem definidos — a passagem da pele normal para o sinal é nítida. Nas lesões suspeitas, os bordos tendem a ser irregulares.

Três padrões merecem atenção:

  • Recortes: “mordeduras” no contorno, que dão ao sinal um aspecto de mapa
  • Bordos esbatidos: o pigmento dilui-se gradualmente na pele em vez de terminar de forma abrupta
  • Bordos mistos: uma parte do contorno nítida, outra difusa

Bordos irregulares isolados não significam melanoma — vários nevos atípicos benignos têm este traço. O critério ganha peso quando surge com outros.

C — Cor

Um sinal benigno costuma ter uma cor só, em geral um único tom de castanho. A presença de dois ou mais tons no mesmo sinal é um dos critérios mais úteis.

Cores que podem coexistir numa lesão suspeita:

  • Castanho-claro e castanho-escuro no mesmo sinal
  • Preto
  • Vermelho ou rosado
  • Branco, em zonas onde o pigmento desapareceu
  • Azul ou cinzento-azulado

A coexistência de vários tons justifica avaliação mesmo num sinal pequeno. Nem todas as lesões pigmentadas têm a mesma origem — o artigo sobre manchas castanhas na pele percorre as mais frequentes.

D — Diâmetro

O critério original considera suspeito um sinal com mais de 6 milímetros de diâmetro — aproximadamente a borracha de um lápis.

É o critério mais fraco dos cinco, por dois motivos. Primeiro, uma parte dos melanomas é detectada com menos de 6 mm. Segundo, o tamanho isolado diz pouco: um sinal de 4 mm que cresceu nos últimos meses é mais relevante do que um sinal de 8 mm estável desde a infância. Leia o diâmetro sempre em conjunto com a letra E.

Nota: diâmetro é a dimensão horizontal. A espessura só se mede ao microscópio, depois de uma biópsia.

E — Evolução

A evolução é a letra mais recente e a mais sensível. Qualquer alteração de um sinal antigo, ou o aparecimento de um sinal novo em adulto, merece atenção.

Mudanças a registar:

  • Crescimento em tamanho ou em relevo
  • Alteração de cor: escurecimento, clareamento, tons novos
  • Contorno que se torna irregular
  • Comichão persistente, dor ou sensibilidade
  • Sangramento espontâneo ou com trauma mínimo
  • Crosta que não cicatriza

A evolução é valiosa precisamente porque não depende do aspecto: apanha lesões que cumprem mal as outras letras. Se um sinal está a mudar, o passo seguinte é consulta — o artigo sobre mancha na pele que cresce detalha este cenário.

Tabela-resumo e regra de decisão

LetraHabitual num sinal benignoMotivo para observar melhor
A — AssimetriaMetades sobreponíveis nos dois eixosMetades diferentes em forma ou cor
B — BordosLisos, regulares, bem definidosRecortados, dentados ou esbatidos
C — CorUm único tom uniformeDois ou mais tons no mesmo sinal
D — DiâmetroAté 6 mm e estávelMais de 6 mm, ou a crescer
E — EvoluçãoEstável há anosQualquer mudança em semanas ou meses

A regra de decisão é simples: basta um critério positivo para marcar uma avaliação dermatológica. Não é preciso somar dois, três ou os cinco. Cumprir vários critérios aumenta a suspeita clínica, mas o limiar para procurar ajuda é um.

O que o ABCDE não apanha: EFG e patinho feio

A regra foi construída a partir do padrão de melanoma mais comum, que cresce em superfície antes de crescer em profundidade. Há apresentações que lhe escapam.

O melanoma nodular cresce sobretudo em relevo desde cedo. Pode ser pequeno, simétrico, de bordos regulares e de cor única — ou seja, negativo em quase todas as letras. Para estes casos existe a regra complementar EFG:

  • E — Elevado: uma lesão que sobressai acima da pele
  • F — Firme: dura ao toque
  • G — em crescimento (growing): que aumenta em semanas a meses

Uma lesão elevada, firme e em crescimento deve ser avaliada com urgência, mesmo que não tenha pigmento nenhum. Alguns melanomas são cor da pele ou avermelhados (amelanóticos) e não desencadeiam qualquer alarme visual pelo ABCDE.

O sinal do patinho feio é o terceiro complemento e talvez o mais fácil de aplicar. Os sinais de uma pessoa tendem a parecer-se todos uns com os outros. Quando um destoa claramente dos restantes — maior, mais escuro, mais claro, de forma diferente — merece ser mostrado, mesmo que isoladamente não cumpra ABCDE. Não exige conhecimento técnico: funciona por comparação.

Nota para quem lê fontes estrangeiras: em alemão, o “E” aparece muitas vezes como Erhabenheit (elevação) e não como evolução. Ambas as leituras terminam no mesmo sítio: consulta.

Como usar em casa

O ABCDE aplica-se durante uma observação sistemática da pele, feita uma vez por mês, com boa luz e com ajuda de um espelho de mão para as costas. O protocolo completo, zona a zona, está descrito em sinais na pele: quando avaliar.

Três hábitos que aumentam o rendimento do exame:

  • Fotografar os sinais que quer vigiar, à mesma distância e com uma moeda ao lado como escala. A comparação com uma foto antiga é mais fiável do que a memória.
  • Não esquecer as zonas difíceis: couro cabeludo, atrás das orelhas, costas, nádegas, virilhas, plantas dos pés, espaços entre os dedos e unhas. Uma banda pigmentada nova numa unha deve ser sempre avaliada.
  • Pedir ajuda a outra pessoa para as costas, ou usar dois espelhos.

O objectivo não é decidir nada sozinho. É detectar o que mudou e levar essa informação à consulta.

Quando consultar

Justificam avaliação dermatológica:

  • Um sinal que cumpra pelo menos um critério ABCDE
  • Um sinal que destoe dos restantes (patinho feio)
  • Uma lesão elevada, firme e em crescimento (EFG), com ou sem pigmento
  • Banda pigmentada nova ou em alteração numa unha
  • Sangramento, comichão persistente ou crosta que não cicatriza num sinal
  • Sinal novo que aparece na idade adulta
  • História pessoal ou familiar de melanoma, muitos sinais no corpo, nevo congénito de tamanho médio ou grande, ou imunossupressão

Perante uma lesão suspeita, o dermatologista completa a observação com dermatoscopia e decide se há indicação para remover o sinal e enviar para análise. Para o quadro completo do melanoma — subtipos, diagnóstico, estadiamento e tratamento — veja o artigo dedicado ao melanoma; para outros sintomas cutâneos que merecem atenção rápida, consulte sinais de alarme na pele.

Na MyDermaCare, poderá realizar uma consulta de dermatologia online: responde a um questionário médico, submete fotografias e recebe em até 24 horas úteis um relatório dermatológico com orientação para o seu caso.

Perguntas Frequentes

Um sinal com 4 mm pode ser melanoma?

Pode. O limiar de 6 mm é uma referência prática, não uma fronteira biológica, e uma parte dos melanomas é detectada abaixo desse tamanho. Interprete o diâmetro em conjunto com os outros critérios, sobretudo a evolução: um sinal pequeno que está a mudar merece mais atenção do que um sinal grande estável há décadas.

Todos os melanomas seguem a regra ABCDE?

Não. O melanoma nodular e os melanomas sem pigmento podem ser simétricos, de cor uniforme e bordos regulares — falhando quase todas as letras. Para estas apresentações usa-se a regra EFG: lesão elevada, firme e em crescimento. Por isso é que o ABCDE nunca substitui uma observação médica.

Um sinal que coça ou sangra é sempre cancro?

Não, mas justifica sempre avaliação. A comichão pode vir de fricção com a roupa ou de eczema sobre o sinal, e o sangramento pode seguir-se a um trauma. Ainda assim, comichão persistente ou sangramento espontâneo contam como critério E positivo — o passo seguinte é marcar consulta, não esperar para ver.

De quanto em quanto tempo devo observar a minha pele?

Uma vez por mês é o intervalo habitualmente recomendado. Quem tem muitos sinais, fototipo claro, história de queimaduras solares na infância, uso de solários ou familiares directos com melanoma deve manter também consulta dermatológica periódica, com a frequência que o médico definir.

Posso avaliar um sinal por fotografia?

A fotografia é útil para comparar ao longo do tempo e para uma triagem inicial que ajude a decidir a urgência da consulta. Não substitui a observação com dermatoscópio. Se enviar imagens, fotografe com boa luz, perpendicular à pele e com uma escala ao lado.

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